quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O sacrifício das escolas mirins que desfilam por amor ao Carnaval

Por Redação SRzd


União é a palavra-chave das escolas de samba mirins do Rio de Janeiro para botar na avenida o carnaval 2019. Numa área embaixo do viaduto da Avenida Trinta e Um de Março, no Catumbi, região central da cidade, 11 das 16 agremiações, que compõem o grupo, transformaram o local em um barracão improvisado. É ali que tentam juntar as doações para preparar as poucas alegorias que farão parte dos desfiles no dia 5 de março, terça-feira de carnaval, na Passarela do Samba. Pelo regulamento, cada uma pode levar para o desfile até dois carros alegóricos.

Os presidentes da Inocentes da Caprichosos, Jefferson Rocha, e da Golfinhos do Rio, Valéria Pires, trocaram alegorias de carnavais passados, inclusive as que receberam de doação de escolas de outros grupos. Depois de restauradas, serão levadas à avenida.

Os integrantes da Petizes da Penha, instalada na comunidade da Vila Cruzeiro, na zona norte, vão desfilar com fantasias confeccionadas com tecidos que, no ano passado, foram usados nas fantasias das baianas de outra escola. A presidente da Petizes, Patrícia dos Santos, contou que viu na doação a solução para produzir as fantasias das crianças.

O trabalho, que será feito por costureiras que se formaram em um dos projetos da escola para capacitação profissional, conta ainda a participação de pais e componentes antigos e amigos da escola. “A gente tem trabalhado muito, mas vai fazer um carnaval bonito”.

A falta de recursos causa impacto também no número de componentes. “Sempre levei 2 mil crianças. Ano passado, cheguei a 900 e, este ano, acho que não chego nem a 500, porque cada ônibus custa R$ 1.300. Eu preciso de 15 ônibus”, conta a presidente da Golfinhos do Rio de Janeiro, Valéria Pires.

Há cinco carnavais no comando da Filhos da Águia, Celsinho de Andrade, disse que as doações chegam da escola mãe, a Portela. “Sempre passo para o carnavalesco o enredo do carnaval do ano seguinte para ele ver na Portela o que a gente pode utilizar e até para reciclar. Ele é criativo, e do lixo ele faz o luxo”, afirmou. Este ano houve reforço no apoio da Portela que ofereceu a mão de obra para a recuperação dos carros alegóricos. “No abre-alas, vamos ter até três filhotes em um ninho embaixo da Águia.”

Escolas Mirins Rio
A maioria dos componentes do grupo das mirins é de comunidades da região metropolitana do Rio. As idades variam entre 5 e 18 anos e, justamente por isso, as escolas precisam bancar os custos de lanche, bebidas e ônibus para o transporte até o Sambódromo.

A exigência para desfilar é estar estudando. Para desfilar, cada criança precisa ter o documento de autorização do juizado de menores e, na avenida, os componentes são acompanhados pelos diretores de harmonia das agremiações.

O vice-presidente da Ainda Existe Criança na Vila Kennedy, Artur Cardoso, que segue o caminho da avó, dona Turquinha, presidente da escola e ex-presidente da associação, disse que vale todo o sacrifício para não deixar o samba não morrer. “Nós vamos resistir. Mesmo com poucos ou sem recursos estamos unidos para não deixar o samba acabar. As escolas de samba mirins vão manter o seu trabalho de qualquer forma”, disse. Segundo ele, cerca de 2 mil crianças da comunidade vão para a avenida este ano.

Juliana Pires tem 7 anos e está acostumada com ambiente de carnaval. Com poucos dias de vida acompanhou a mãe que precisou ir para a avenida cuidar dos últimos detalhes de um carro alegórico na avenida. Hoje, Juliana é rainha de bateria da Golfinhos do Rio de Janeiro, escola em que a avó é presidente. “Eu nasci dentro da escola”, contou. O irmão de Juliana é diretor de bateria.

Inclusão
As escolas mirins também fazem carnaval de inclusão. A Filhos da Águia desfila com 100 crianças e adolescentes especiais: autistas, surdos, com síndrome de down, cadeirantes. Já é uma marca da escola. Este ano terá uma novidade. Por meio de uma parceria com uma organização não governamental, a escola vai desfilar com meninas em situação de rua e grávidas. Além disso, está em conversas com o Instituto Benjamin Constant, instituição de ensino de deficientes visuais, para ter alunos também desfilando na escola. “Antes a gente tinha duas ou três alas com crianças especiais, hoje a gente mescla. Este ano, a ala das baianas será com 30 meninas especiais.”

Verba
A prefeitura do Rio ainda não liberou os recursos para as escolas de samba mirins prepararem os desfiles deste ano. Faltando menos de um mês para se apresentarem no Sambódromo, o presidente da Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro (AESM-Rio), Edson Marinho, disse à Agência Brasil, que os dirigentes das agremiações estão tensos.

“A única verba que as escolas têm vem da prefeitura, por meio da Riotur. Não tem nenhum tipo de arrecadação extra. Não trabalhamos com bebida alcoólica nos ensaios, a fantasia é gratuita. Estamos aguardando a boa vontade do prefeito para assinar o contrato e liberar a verba”, contou em entrevista à Agência Brasil.

Marinho conta que a subvenção da prefeitura caiu de R$ 840 mil recebidos no último ano da administração do prefeito Eduardo Paes, em 2016, para R$ 640 mil no primeiro ano de Marcello Crivella. De acordo com a Riotur, empresa de turismo da cidade, em 2018 foram pagos cerca de R$ 600 mil às escolas mirins e, agora, o órgão aguarda uma definição da Casa Civil sobre a data para a liberação do dinheiro e de quanto será o valor.

Enquanto isso não ocorre, segundo o presidente da AESM-Rio, os dirigentes recorrem a cartas de crédito para a compra dos materiais. “A dificuldade de conseguir um patrocínio é não ter a mesma visibilidade do grupo especial, porém, tem um público expressivo que vai à Sapucaí para ver as crianças”, disse.



Com Agência Brasil


Fonte: www.srzd.com

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Nova Geração do Estácio ensaia nesta sexta-feira

Por David Junior


A garotada da Nova Geração do Estácio estará na quadra da Estácio de Sá (Av. Salvador de Sá, 208), na sexta-feira, 1º de fevereiro, às 19h, ensaiando para fazer bonito no Carnaval 2019. A vermelho e branco mirim irá se preparar, com a presença de todos os segmentos.

Para quem deseja desfilar na Nova Geração, a escola ainda tem vagas. As inscrições para novos integrantes, entre cinco e 17 anos, poderão ser feitas durante o ensaio. Basta comparecer à quadra, acompanhado de um responsável, e levar cópia da certidão de nascimento, duas fotos 3×4, além dos comprovantes de escolaridade e residência.
Desfile

A Nova Geração do Estácio será a 13ª agremiação a desfilar na terça-feira de Carnaval, na Sapucaí. A vermelho e branco mirim apresentará o enredo De Vai quem quer à Estácio de Sá, a Nova Geração vem homenagear Onadir da Silva Meira (Dorico), o eterno malandro, exaltando o baluarte da agremiação do morro de São Carlos.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

AESM-Rio apresenta Corte do Carnaval e lança CD das escolas mirins

Por David Junior


A AESM-Rio promoveu no domingo, 27 de janeiro, na quadra da Estácio de Sá, o lançamento do CD das escolas de samba mirins para 2019. A bonita festa também serviu para a entidade apresentar a Corte do Carnaval Mirim, eleita em concurso interno, e para a premiação dos destaques da última folia, com a entrega do troféu Olhômetro, e de homenagens a personalidades como o radialista Rubens Confete, Manuel Dionísio e o fotógrafo Benildo Mendes.

Roda de Samba SOS Escolas Mirins

O encontro apesar de festivo serviu também para conscientizar as autoridades competentes sobre o Carnaval. A Roda de Samba SOS Escolas Mirins, que contou com as participações de sambistas renomados, ajudou no alerta e para arrecadar fundos para o próximo desfile. O público teve a oportunidade curtir o melhor do samba de raiz e de saborear uma suculenta macarronada.

Estiveram presentes personalidades como o eterno casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, Chiquinho e Maria Helena, o comunicador João Estevam, os sambistas Dorina, Gabrielzinho do Irajá, Wanderley Monteiro e Marquinhos de Oswaldo Cruz, dirigentes da Federação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro, além do presidente do Acadêmicos do Cubango, Rogério Belizário, do carnavalesco e multimídia Milton Cunha e do intérprete da Unidos do Viradouro, Zé Paulo Sierra, entre outros.

Desfiles

Os desfiles das escolas de samba mirins do Rio de Janeiro acontece na terça-feira de Carnaval a partir de 17h, com término antes das 24h, por conta de uma determinação do Juizado da Infância e da Adolescência.




terça-feira, 22 de janeiro de 2019

CD das escolas mirins será lançado no domingo

Por David Junior


Uma grande festa na quadra da Estácio de Sá, no domingo, 27 de janeiro, a partir de 13h, marcará o lançamento do CD das escolas de samba mirins do Carnaval 2019. No mesmo evento, serão revelados os integrantes da corte mirim da folia e haverá a coroação do Rei Momo, da Rainha e das Princesas.

Os melhores de 2018 também merecerão destaque. Os vencedores do Troféu Olhômetro receberão suas premiações, bem como a AESM-Rio homenagerá personalidades e parceiros da entidade.
Desfiles

Os desfiles das escolas de samba mirins do Rio de Janeiro acontece na terça-feira de Carnaval a partir de 17h, com término antes das 24h, por conta de uma determinação do Juizado da Infância e da Adolescência.



Aprendizes do Salgueiro inscreve novos componentes

Por David Junior

A Aprendizes do Salgueiro está recebendo inscrições de novos componentes para o desfile de 2019. Crianças e jovens de 5 a 17 anos podem participar do cortejo da escola mirim. Para se cadastrar é preciso comparecer à quadra da Acadêmicos do Salgueiro (Rua Silva Teles, 104, Andaraí), durante o ensaios que acontecerão no domingo, 20 de janeiro, às 16 horas, e nos subsequentes.

Para efetuar as inscrições, os futuros sambistas devem estar acompanhados por um responsável que deve levar cópia da certidão de nascimento da criança, comprovante de escolaridade e residência, além de duas fotos 3×4.

Foto: Gabriel Nascimento 



sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Socorro! Escolas mirins fazem evento na Estácio pra desfile das crianças não ser cancelado

Por Ângelo Mathias
Se tá difícil para as escolas do Grupo Especial e da Série A do Rio – as protagonistas do Carnaval da Marquês de Sapucaí -, imagine a situação das agremiações de base da festa. A Associação das Escolas Mirins (AESM-RIO), por exemplo, tá com o pires na mão pra conseguir colocar o carnaval da criançada nas ruas.
A entidade vai promover no dia 27 de janeiro, um domingo, o evento “SOS Escolas de samba Mirins – Não deixe o samba morrer”. Trata-se de uma tentativa de arrecadar fundos para sanar as dificuldades financeiras que atravessam as 16 agremiações compostas exclusivamente por sambistas menores de idade. Ano passado, cada escola recebeu pouco mais de R$ 30 mil.
— A situação está caótica, as crianças ficam ansiosas querendo saber se vão desfilar — lamenta Gabriel Azevedo, presidente da Estrelinha da Mocidade.
A roda de samba beneficente acontecerá na quadra da Estácio de Sá e o valor arrecado (a entrada custa R$ 15 e dá direito à macarronada) será revertido para as escolas da turma de samba miudinho. Até o momento, nenhuma delas recebeu o repasse de verbas da Prefeitura do Rio e tampouco assinou o contrato que garantiria a subvenção pública.
— Não temos previsão de dinheiro. Possivelmente, isso pode estar acontecendo com a Liesb (a instituição responsável pelos desfiles das séries B, C, D e E da Intendente Magalhães, no Campinho, Zona Norte do Rio) e a Federação dos Blocos, porque normalmente quando a Riotur
chama pra assinar o contrato, vão os três órgãos juntos — informa a assessoria de imprensa da AESM-RIO.
Formação de base! Sambistas defendem relevância das escolas mirins
Para reforçar a importância de vivenciar os hábitos de bamba desde a infância, sambistas experientes conversaram com o Sambarazzo e relembraram como estrearam no universo do carnaval até chegar à fase adulta.
Orgulhosos do passado mirim, eles integram a corrente de solidariedade que tenta garantir que dias melhores batam à porta do grupo, composto por Mangueira do Amanhã, Corações Unidos do Ciep, Infantes do Lins, Filhos da Águia, Pimpolhos da Grande Rio, Ainda Existem Crianças de Vila Kennedy, Tijuquinha do Borel, Miúda da Cabuçu, Império do Futuro, Inocentes da Caprichosos, Estrelinha da Mocidade, Aprendizes do Salgueiro, Nova Geração do Estácio de Sá, Petizes da Penha, Golfinhos do Rio de Janeiro e Herdeiros da Vila.
Mestre-sala do Salgueiro começou em escola mirim: “Divisor de águas”
Responsável por defender o pavilhão da “Academia do Samba” há seis temporadas, o mestre-sala Sidclei Santos deu os primeiros passos na dança na Corações Unidos do Ciep. Em seguida, foi para a Herdeiros da Vila, fruto da Unidos de Vila Isabel.
— Foi um divisor de águas pra eu chegar até onde cheguei. Aprendia a tocar instrumentos, a dançar na comissão de frente… Isso tudo já na primeira mirim que frequentei. Depois, na Herdeiros, também passei por vários segmentos, até me identificar como mestre-sala — conta Sidclei, reforçando que as agremiações mirins devem continuar desfilando sem nenhum tipo de competição, apenas por diversão e aprendizado.
Porta-bandeira da Portela sai até hoje na escola mirim onde começou
Uma das maiores finalidades das escolas mirins é formar sambistas. É dali que brotam grandes talentos, que tempos depois se destacam nos principais grupos do Carnaval. A consagrada porta-bandeira da Portela, Lucinha Nobre, também começou a carreira nas categorias de base da festa.
— Aprendi a dançar em escola mirim, comecei em 1984, na Alegria da Passarela (atual Aprendizes do Salgueiro), e desfilei uma vez na Herdeiros da Vila. Na minha época, não tinha escolinha para mestre-sala e porta-bandeira, então a gente aprendia na mirim mesmo — conta Lucinha, que não virou as costas para o passado e até hoje desfila pela Aprendizes, na velha-guarda.
Substitutos de Marcão no Salgueiro estrearam na mirim da escola
Novos na função de mestres de bateria da “Furiosa”, do Salgueiro, Guilherme e Gustavo foram outros a passar pela escola mirim da vermelho e branco.
— Comecei aos 7 anos. Desfilei em ala, carro alegórico e cheguei na bateria com 12 anos. Depois disso, comecei a viver de música, dando aulas
de percussão, acompanhando artistas em shows, gravações… Devo tudo isso à escola Aprendizes do Salgueiro, me fez um apaixonado por percussão — pontua Guilherme.
Gustavo também carrega boas recordações da escola de crianças, onde orgulhosamente chegou a atuar como mestre e, atualmente, desfila como presidente da bateria:
— Nosso pai foi diretor da escola. Como ele era salgueirense ‘doente’, fomos criados ao lado da quadra e praticamente crescemos ali. Em 1999, entrei pra bateria do Aprendizes e fiquei viciado. Em 2003, virei diretor de bateria e, quatro anos depois, me tornei mestre. Aprendi muito sobre liderança, organização e como lidar com as pessoas. Nunca vou largar o Aprendizes.
Em 2013, Thatiane Carvalho participou do concurso “Intérprete do futuro”, do RJTV, e foi a grande campeã. Agora, integra o carro de som da Estácio de Sá.
— O concurso foi de extrema importância, não somente pela visibilidade que me proporcionou, mas por meio dele surgiu o convite para fazer parte do carro de som da Estácio. Competimos entre amigos, foi muito sadio e emocionante, um torcia pelo outro, não havia rivalidade — lembra Thatiane.
O desfile das escolas mirins está marcado para Terça-Feira de Carnaval, 5 de março, às 18h, na Marquês de Sapucaí. O público não paga ingresso para assistir à festa dos pequenos.
Roda de samba “SOS Escolas de Samba Mirins – Não deixe o samba morrer”Participações especiais: Gabrielzinho do Irajá, Dorina, Enzo Belmonte, Marquinhos Diniz, Wanderley Monteiro e intérpretes de escolas de samba do Grupo Especial e Série A
Data: 27 de janeiro de 2019 (domingo)
Horário: 13h
Entrada: R$ 15 (com direito a prato de macarronada)
Local: Quadra da Estácio de Sá – Avenida Salvador de Sá, 206 – Estácio
Informações: (21) 2504-2883

Apoio de luxo! Ilustres portelenses, os cantores Paulinho da Viola e Marisa Monte sempre fazem questão de prestigiar o desfile da Filhos da Águia – Foto: Paulo Portilho/Riotur