sábado, 29 de novembro de 2014

Na luta contra as dificuldades, desfiles mirins podem ser televisionados em 2015

Por Rafael Arantes

Quem acredita num futuro de sucesso para o carnaval tem muita fé no que as crianças de hoje vão construir daqui para frente. Prova disso ainda são as escolas de samba mirins, que enfrentam a falta de fortes apoios e todas as demais dificuldades para promoverem os tradicionais desfiles de terça-feira de carnaval todo ano. Em mais uma temporada de muito desafio e às vésperas do lançamento do CD do Carnaval de 2015 (que acontecerá no dia 7/12, no Terreirão do Samba), a Aesm pode concretizar uma grande parceria para o ano que vem. Em conversa com o CARNAVALESCO, o presidente da entidade, Edson Marinho, revelou que conversas avançadas com a TV Brasil podem firmar a transmissão ao vivo dos desfiles mirins do próximo ano.
- Estamos conversando com a TV Brasil e podemos conseguir uma transmissão completa para os desfiles de 2015. Eles sempre fazem um trabalho com flashes, mas a nova administração do setor está muito interessada em realizar essa cobertura. Estamos no meio de conversas, mas muito otimistas. A possibilidade existe e isso seria mais um reconhecimento do trabalho com a criançada. Além disso, será a chance de dar a oportunidade para as pessoas que não podem comparecer mas gostariam de acompanhar os netos e sobrinhos na Sapucaí.
Com o apoio apenas dos órgãos mais direcionados ao carnaval, a Aesm não desiste de caçar uma nova forma de desenvolvimento para a folia mirim. Hoje, no entanto, um dos problemas que mais assombram a associação é o desnivelamento na estrutura de cada escola.
- Temos o sonho de conseguir condições para realizar um carnaval digno. As crianças merecem muito isso. Hoje temos a Riotur, Liesa e Lierj como nossas grandes parceiras  e continuamos procurando novos amigos que possam nos ajudar nessa empreitada. Sabemos a dificuldade que muitas agremiações passam, principalmente as que não possuem escola-mãe. Mas não vamos desistir dessa melhora e seguimos buscando até mesmo uma igualdade de investimento.
Edson admite que a verba destinada para as agremiações não são consideradas suficientes para um desenvolvimento tranquilo de todo o carnaval e lamenta a dificuldade na procura por patrocinadores para o grupo.
- Cada escola recebe cerca de R$ 45 mil para realizar seu carnaval e sabemos que para ficar algo tranquilo seria necessário em torno de R$ 150 mil. A dificuldade é grande e a dimensão disso é totalmente fora dessa realidade. Não conseguimos uma subvenção adequada para fazer desfiles de ponta. Estamos sempre na busca por patrocínios, mas sabemos que não pode ser qualquer empresa. É necessário sempre manter viva a relação com as crianças. Queremos parceiros que sigam essa linha infantil.
Nos últimos anos, a associação ainda tem sido alvo de constantes especulações de uma possível alteração na data dos desfiles mirins e até mesmo de uma suposta despedida da criançada da Marquês de Sapucaí. O fato, no entanto, é totalmente desconsiderado pelo presidente, que confirmou a total manutenção dos métodos de desfile no ano que vem. A polêmica sobre o horário do início dos desfiles, por sua vez, não conseguiu ser revertida.
- Quanto aos rumores da mudança no dia de desfile já estamos tranquilos. Nosso carnaval mirim continua sendo na sexta-feira e nossas 16 escolas estão se preparando para fazerem bonito na Sapucaí. Em relação ao horário, como o número de agremiações é alto fica difícil começar mais tarde em razão dos pedidos da Portaria da Primeira Vara da Infância e Juventude. Temos que cumprir com nossos compromissos então continuamos no mesmo horário e com 30 minutos de desfile para cada uma. Os portões continuarão sendo abertos e as frisas serão distribuídas para todas as escolas.
Encontrar soluções para os problemas financeiros, buscar novos patrocinadores e sonhar com um maior reconhecimento fazem partes dos planos traçados pela Aesm, mas o dever vai muito além da parte estrutural do carnaval mirim. Edson faz questão de ressaltar que toda a dedicação da entidade é pelo bem que a folia pode fazer para cada uma das crianças envolvidas. O sonho de um futuro melhor para cada uma delas é a cereja do bolo de todo este processo.
- A gente bate muito na tecla de que queremos formar cidadãos. Mesmo que não saiam do desfile como grandes sambistas, queremos que todos sejam pessoas do bem. Para desfilar, tem que estar estudando. Caso contrário, vamos atrás de um encaminhamento. É isso que mantém a magia do nosso carnaval mirim. Temos uma média de quase 80 mil pessoas que acompanham os nossos desfiles e acreditamos que isso vai aumentar cada vez mais. Não saímos da Avenida com campeã e rebaixada, mas a recompensa que damos são nossos prêmios, como o Estandarte do Samba Mirim. Isso já é uma grande valorização para eles.

Fonte: www.carnavalesco.com.br

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